Escrever é assim: um salto no escuro por cima do muro que não se sabe onde vai dar, mas que apesar do tropeço e da falta de endereço, vale muito a pena arriscar!!!!! Adriana Soares
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Martinha mortinha
Martinha era uma menina bem esquisita
Não gostava da cor rosa nem de laços de fita
Usava calças largas, nunca estava de vestido
E tênis era o seu calçado preferido
Tinha olheiras, parecia que nunca dormia
Não se sabe o porquê, trocava a noite pelo dia
Olhava as estrelas a brilhar lá no céu
Lia livros, ouvia música, ficava ao léu
O pai a achava uma menina engraçada
A mãe repetia: que garota levada!
Os dois a tratavam com imenso carinho
Feliz a Martinha naquele mundinho
Mas um dia a Martinha foi para a escola
No lugar da mochila uma velha sacola
E lá ia a martinha desengonçada e contente
Sem saber que a apontavam por ser diferente
E por onde ela ia virava piada
Professor, diretor, ninguém via nada
E ganhou um apelido a pobre Martinha
Trocou-se uma letra, transformou-se em Mortinha
Mortinha era feia, não tinha beleza
Mortinha era pobre, não tinha riqueza
Mortinha era chata, não tinha brinquedo
Mortinha era doida, não tinha nem medo!
E ao descobrirem que a garota estranha
Não temia sapo, barata ou aranha
Lhe pediram para ir desvendar um mistério:
Ver o que acontece dentro de um cemitério
E a Mortinha tão feliz em poder ajudar
Atravessou o portão sem pestanejar
Conversou com o coveiro e lhe pediu uma flor
E voltou para a rua com semblante de horror
Ela contou que encontrou muitas almas do além
E que haviam criaturas do mal e do bem
Inventou tanta história sobre morte e vida
Que a turma começou a achar divertida
O gato preto da Mortinha era sinal de sorte
E de toda a escola era a melhor no esporte
No cabelo prendedores de caveira pra arrasar
E aos poucos a Mortinha foi ficando popular
Mortinha era inteligente, tinha criatividade
Mortinha era segura, tinha personalidade
Mortinha era fashion usava piercing no umbigo
Mortinha era feliz tinha um monte de amigo!
E ninguém nunca mais zombou dela
A menina esquisita da favela
Perceberam que ser diferente é legal
Seria chato todo mundo igual
E assim Mortinha essa menina corajosa
Descreveu sua vida em verso e prosa
Descobriu a importância de ter atitude
E transformou diferença em virtude
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